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Matrículas em EMRC? - Portalegre-Cast. Branco

Carta Aberta do responsável diocesano da EMRC da diocese de Portalegre – Castelo Branco aos Encarregados de Educação, Pais, Professores e Párocos sobre as Aulas de EMRC

 

Nas nossas escolas, desde o 1 º ao 12 º ano, as aulas de EMRC (Educação Moral e Religiosa Católica) são aulas curriculares “de oferta obrigatória e de frequência facultativa”. São os pais ou os alunos maiores de 16 anos que, no acto de matrícula, devem assinar um impresso, que as escolas têm obrigação de fornecer, pedindo a inscrição nessa disciplina...

Desde que estou responsável pelo Secretariado Diocesano do Ensino da Igreja nas Escolas, apercebo-me como esta disciplina é incompreensivelmente a MAL- AMADA do Ministério da Educação. - Primeiro foi a confusão criada com a disciplina no 1 º ciclo com a sua não inclusão nas 25 horas lectivas. Confusão que continua porque não aparecem orientações claras sobre o assunto. Neste último ano lectivo, por parte da Direcção Regional de Educação do Centro, de que dependem muitas das escolas da nossa diocese, começaram a ser dadas algumas orientações, completamente contrárias à lei, para a não formação de turmas no Ensino Secundário devido a serem poucos os alunos inscritos.

Tenho a sensação de que nos estão a querer cortar a cabeça e os pés para que todo o edifício possa ruir.

“Para que servem essas aulas?” - poderão perguntar alguns.

Os nossos bispos tentam responder, em documento do passado mês de Abril, intitulado “Educação Moral e Religiosa Católica – Um valioso contributo para a formação da personalidade”.

Apenas uma breve citação:

“O contributo da EMRC para o desenvolvimento das crianças, dos adolescentes e dos jovens, parte do reconhecimento da “componente religiosa como factor insubstituível para o crescimento em humanidade e em liberdade” (João Paulo II). Nessa perspectiva, a EMRC ajuda a amadurecer as interrogações sobre o sentido da vida e mostra que “o Evangelho de Cristo oferece uma verdadeira e plena resposta... A dimensão religiosa é constitutiva da pessoa humana. Por isso, não haverá educação integral, se a mesma não for tomada em consideração; nem se compreenderá verdadeiramente a realidade social, sem o conhecimento do fenómeno religioso e das suas expressões e influências culturais. A EMRC tem, pois, um alcance cultural e “um claro valor educativo”. Orienta-se para “formar personalidades ricas de justiça, da solidariedade e da paz, capazes de usar bem a própria liberdade”.

É por isso que me atrevo a pedir que, num diálogo saudável entre pais e filhos, optem, em coerência, pela inscrição, frequência e aproveitamento das aulas de EMRC.

No acto de matrícula peçam e preencham a folha de inscrição e exijam que as escolas incluam as aulas no horário.

É uma oportunidade e um direito que não podemos nem devemos perder.

A frequência da disciplina na nossa diocese, de 39 %, está abaixo da média nacional e é sobretudo desastrosa nas escolas das cidades. Não podemos cruzar os braços perante isto. Está em causa a saúde humana, moral e espiritual da nossa gente nova.

A resposta à pergunta que formulo no título deste texto depende da nossa coerência de cristãos. O único argumento que este governo economicista ainda escuta é o das estatísticas.

É a vós pais, católicos praticantes, que peço isto... é a vós crianças, adolescentes e jovens que sois acólitos, escuteiros, crismandos, catequistas... que peço isto.

Não podemos cair na incoerência de uma prática cristã sem procurar uma sólida formação e sem darmos o testemunho do nosso querer e do nosso esforço.

Poderão alguns dizer: “Mas nós já temos catequese”!...

A EMRC tem uma dimensão mais abrangente que a Catequese e está aberta a qualquer aluno independentemente da sua crença, quanto mais não seja pela sua componente cultural. Por isso a Catequese e a EMRC são duas componentes complementares da formação humana e religiosa. Não se substituem nem muito menos se opõem, como pensam alguns.

Creio que também aqui podemos mostrar quem somos!...

Por P. Armando Tavares P. Alves

Responsável diocesano da EMRC da diocese de Portalegre – Castelo Branco

Contacto: armandotavares@iol.pt