XXXVI Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica









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DOSSIER Especial: Debater a Educação

Debater a Educação...

Ninguém pode ficar de fora!... Está em debate nacional a Educação. Todos os cidadãos, sem excepção, têm o dever de entrar na reflexão séria, na busca de propostas razoáveis, para melhorar a Educação em Portugal para os próximos dez anos. Tanto mais quanto estamos cansados de ouvir e dizer que ela tem sido um fracasso. É que dela depende o desenvolvimento pessoal e social harmonioso daqueles que estão na idade de lançar os alicerces do seu futuro, dela dependendo, consequentemente, a qualidade do progresso social.

Não apenas os indivíduos, mas os grupos e instituições têm o dever cívico de dar o seu contributo, para que se encontrem valores orientadores, estruturas, práticas, sinergias de intervenientes do processo educativo, que combinem serena e eficazmente a igualdade de oportunidades e a excelência, a liberdade de escolha, a iniciativa particular, cooperativa e a supletiva estatal, construindo uma sadia teia da Educação, que nos permita sairmos definitivamente do clima de hostilidades, das justificações de insucesso, da irresponsabilidade e da omissão…, que culmine na superação da habitual cauda da tabela europeia. Sobretudo, que resulte na formação de pessoas sábias e humanas, capazes e dedicadas.

Estando em causa a pessoa humana, “razão de ser e objecto central da missão da Igreja”, esta é uma das instituições que não pode deixar de estar presente no debate. Até porque é real a sua presença em “múltiplas instâncias” educativas, desde a família às suas próprias escolas, passando pela presença institucional na escola estatal, nomeadamente pela oferta do Ensino Religioso Escolar.

A participação dos círculos da Igreja neste debate é tanto mais importante quanto se generaliza uma visão redutora da pessoa humana e do próprio mundo, sem esquecer o desejo subtil de muitos de arredarem Deus do horizonte da história. Temos o direito e o dever de dar à sociedade portuguesa o nosso saber próprio, que integre o ambiente que plasma a nossa realidade cultural.

Se a crescente secularização, que sublinha a laicidade do Estado, lança confusão no espírito dos cidadãos sobre o que seja uma verdadeira neutralidade do mesmo Estado, de forma nenhuma equiparada à laicização da sociedade, mais uma razão para se fazer ouvir a voz da Igreja, dos Bispos às Associações de Pais, das Universidades aos Professores, dos Grupos aos Movimentos, sobre aquilo que consideram serem os pilares necessários a uma Educação integral, os parceiros a empenhar, as práticas a desencadear.

Essa é uma das sensibilidades indispensáveis a manifestar-se, a par de tantas outras que se vão ouvindo na sociedade portuguesa. E, se podemos correr o risco de pecar por sublinhar alguma perspectiva parcial, confessional, mais grave será ficarmos no comodismo do silêncio. Discernimento e humildade; mas coragem e sentido de dignidade!

P. Querubim, in Correio do Vouga