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DOSSIER Especial: Debater a Educação
Tema 3 - Escolas, professores e outros profissionais
As escolas, organizações sociais que acolhem hoje todos os cidadãos e durante um tempo cada vez mais longo, em ordem à sua educação, são preciosas instituições sociais destes tempos de transição cultural em que vivemos, devendo por isso ser por todos especialmente acarinhadas. Responda às seguintes questões (individualmente ou em grupo) | Como fomentar uma melhor articulação entre os professores e os pais/encarregados de educação tendo em vista melhorar o sucesso escolar dos alunos? De que formação inicial e contínua precisam os professores nos próximos anos? Que organização escolar poderá melhorar o processo educativo? Que tipo de autonomia e que mecanismos de responsabilização devem ser postos em prática nas escolas? Que podem (e vão) as comunidades locais fazer mais pelas suas escolas?
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A atenção educativa não deverá ser confundida com uma sobrecarga de mandatos sociais sobre a escola, que tantas vezes geram as maiores perplexidades, tanto nos pais como nas escolas: transmitir a herança cultural, proporcionar o desenvolvimento humano de cada aluno, preparar os cidadãos para o exercício profissional, formar cidadãos críticos, criativos e participativos, formar o cidadão consumidor, realizar a educação rodoviária, a educação para a saúde, a educação para a sexualidade, a educação ambiental, formar para os “media”, educar para a autonomia e o empreendimento, educar para a paz, promover a educação intercultural, … É, por isso, muito oportuna a reflexão sobre esta questão: em torno de que é que queremos centrar hoje a missão da escola? Definido este centro, que englobará vários daqueles mandatos em simultâneo, qual o quadro institucional que melhor deve traduzir e executar essa missão? O que é preciso fazer e como para evoluirmos para esse novo quadro institucional? Uma coisa, entretanto, parece certa: os actuais equívocos gerados à volta da missão das escolas não devem prolongar-se, sob pena de acentuarmos um nefasto ambiente de crise e de impotência que a todos prejudica. A autonomia das escolas e, mais concretamente o seu modelo de governo, estão também no fulcro das decisões que urge tomar, com o maior consenso possível e com a maior determinação, sem mais delongas, após tantos anos de experiências e indecisões várias. Uma vez definidas as atribuições e responsabilidades que devem ser concentradas nos órgãos das escolas, importará enfrentar a necessidade de uma profunda reestruturação da missão e do modelo dos serviços centrais e regionais da administração educacional. Até onde estamos dispostos a levar esta política de efectiva descentralização e de responsabilização das escolas? Em termos de organização e administração das escolas, também se deveria prestar a melhor atenção à recente organização local das escolas em agrupamentos, avaliando a qualidade do desempenho destas novas estruturas, bem como à repartição de responsabilidades entre a administração central e regional, as escolas e as autarquias, procurando respeitar o princípio da subsidariedade. Neste contexto, importa também reflectirmos sobre a profissionalidade docente e o estatuto dos professores enquanto o sustentáculo de uma actividade que se quer competente, responsável, eficiente, emocionalmente exigente, constantemente inspirada por uma motivação humanista e pela esperança. Na verdade, todo o professor é um ser de esperança, que projecta cada um dos seus alunos para o futuro, de modo a que desabroche a humanidade de cada um. Que queremos que melhore no exercício profissional dos professores (da educação elementar ao ensino superior e à aprendizagem ao longo da vida) e que condições vamos reunir para o alcançar? Destaque especial têm merecido a formação inicial e contínua dos professores e a avaliação do seu desempenho. No que respeita à formação inicial, e uma vez que não estamos diante da pressão gerada por faltas generalizadas de docentes, este é um tempo propício para a sua revalorização e redefinição. A missão da escola e do professor devem fazer parte do núcleo básico desta formação, que deve contar com tempos de prática supervisionada, pois os modelos que assim funcionam têm demonstrado as suas virtualidades. Quanto à formação em serviço, além do esforço que deveria ser feito para avaliar as várias experiências realizadas, importaria colocar todo a capacidade instalada ao serviço da melhoria das práticas docentes nas escolas e nas salas de aula, dando prioridade a um tipo de formação intimamente articulado com o exercício profissional. Que novas práticas de apoio às escolas e aos professores deveriam ser instituídas, tendo em vista melhorar o ensino e as aprendizagens? Seria possível e desejável colocar instituições de ensino superior, centros de investigação e associações profissionais de docentes ao serviço destes processos de melhoria dos resultados escolares? Como fazê-lo de modo eficiente e eficaz? No que se refere à avaliação de desempenho, seria oportuno pensar questões como critérios, intervenientes e modelos, sempre num processo de maior responsabilização profissional, individual e colectiva. Sabemos também o quanto é determinante uma boa liderança das escolas no seu desempenho social. No entanto, continua por esclarecer, no actual quadro equívoco da autonomia das escolas, o problema do poder dentro delas. Qual o modelo e as estruturas de “governo das escolas” e qual o papel e o lugar do director executivo? Deveria haver uma carreira própria? Qual deveria ser o novo modelo de formação contínua e de avaliação do desempenho de tão importantes profissionais na construção da qualidade da educação? Ao mesmo tempo, no âmbito do ensino não-superior, seria oportuno repensar o modelo de ciclos de estudo actualmente em vigor, verificando a sua pertinência, volvidos vinte anos sobre a Lei de Bases e imersos num novo ambiente sociocultural. Deveria haver lugar, como alguns advogam, a um novo, primeiro e prolongado ciclo destinado à educação da infância, compreendendo a educação pré-escolar, os actuais primeiro e segundo ciclos do ensino básico? O ensino básico deve coincidir com o ciclo dos estudos obrigatórios ou deve terminar no fim da educação da infância? O ensino após o 7º ano de escolaridade deve fazer parte de um ciclo mais longo de ensino secundário, do 7º ao 12º, ou deve manter-se como um ciclo do ensino básico e universal? Que teremos ainda de fazer para continuar o processo de dignificação do ensino tecnológico e profissional e para qualificar adequadamente os jovens? Que consequências advirão para a articulação entre os níveis secundário e superior com a adopção do “processo de Bolonha” no ensino superior? Além disso, seria da maior importância que as mudanças, a ocorrer, se pautassem por critérios de qualidade da educação, de melhoria da qualidade das aprendizagens e de liberdade de ensino e de aprendizagem. Neste quadro de evolução e mudança social emerge também a questão da cooperação de outros profissionais com os docentes das escolas. A complexidade das tarefas educativas reclama actualmente, segundo alguns protagonistas, a própria complexificação das respostas educativas das escolas, concentrando os professores no essencial do ensino-aprendizagem e fazendo intervir outros profissionais em tarefas educativas mais específicas (ex. orientação escolar e profissional, apoio social e familiar, acesso à informação e documentação, animação sociocultural). De que serviços educativos estamos a falar, quando falamos da acção de outros profissionais na escola? Para responder a que objectivos da missão da escola? Que modelos de cooperação deveriam ser desenvolvidos e com que profissionais? Como preservar a centralidade da acção educativa das escolas e alcançar melhores resultados escolares? Finalmente, no quadro de uma autonomia que se deseja consagrada e sustentada, dever-se-á ampliar o tipo e a intensidade das articulações entre as escolas e as comunidades locais. Os actores sociais locais deverão intervir mais activamente no apoio às escolas e aos professores, com destaque para os municípios. Quais devem ser os âmbitos e os limites desta intervenção? A UNESCO e a OCDE têm chamado recorrentemente a atenção para o facto de a educação ser, na actualidade, o investimento mais precioso que uma comunidade pode fazer por um futuro melhor. Infelizmente, não abundam entre nós os exemplos de boas práticas neste domínio, pois outros investimentos ganham a dianteira à educação. Que sugestões de melhoria se podem fazer neste campo? Preencha a Ficha Síntese proposta, anexando o programa do encontro (seminário/colóquio/reunião) em que teve lugar este debate. Para mais «« informações »»...
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