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Uma palavra de agradecimento...
Recordando todos os educadores: pais, catequistas e professores. Neste final de ano lectivo, digo uma palavra de confiança, de agradecimento, de reconhecimento e de consolação aos professores. Semeadores, foram os vossos professores, que acreditaram na força vital das boas sementes, do bem, da ciência e da verdade. Os professores, demais educadores, aceitaram a tarefa desta sementeira, e, com a paciência do lavrador! Em hora de colheita, neste final de ano, é preciso dizer aqui uma palavra de confiança. Os professores estão a passar, talvez, o momento mais difícil depois do 25 de Abril, com uma campanha que tende a desautorizar e a desqualificar o seu ensino e missão. Andamos todos entusiasmados com os jogadores da selecção convertendo-os em heróis da Pátria, e esquecemos esse «heróis e heroínas, que nos novos tempos aceitam a missão e profissão de revelar os saberes aos mais jovens. Os professores continuam a fazer parte do plantel dos nossos discretos heróis». Como é difícil ser professor: de crianças, para quem um minuto de silêncio é quase um milagre; de adolescentes, cuja capacidade de concentração, é praticamente uma missão impossível; de jovens, tantos deles desinteressados, quando não insolentes e intolerantes, perante a exigência do professor e educador. Se isto já é, de si e de sempre, difícil, acrescem agora, no cenário da educação, dificuldades vindas da parte dos pais; pais, que se apresentam como uma espécie de “polícias dos professores”, pais demitidos dentro de casa, e ameaçadores fora de casa; pais que se permitem queixar e protestar de um reparo do professor ao filho; pais “mimeiros”, pais de filhos mimados, que se dão ao luxo de se queixar ao Director da Escola, porque o seu menino – vejam lá – levou um empurrão na entrada da sala de aula! Pais, que dizem ao Pároco, e dizem aos Professores, «que não têm por que se justificar da falta dos seus filhos». Eles próprios – dizem - sabem e consentem na desordem! Sei que há, como em todas as profissões, pessoas competentes e incompetentes, com vocação e sem ela! Mas como se pode desautorizar o “educador” na cara do educando! Como se pode passar da “ditadura do professor” à “ditadura do aluno”, que só estuda se… e quando lhe apetece! Parece que quem tem de se justificar pelos maus resultados não é o aluno, a sua falta, o seu desinteresse, a sua apatia. É o professor, que tem de se “explicar” de tudo e por tudo! Onde está o equilíbrio, que garanta uma avaliação de aluno e de professor, sem troca nem confusão de papeis?! Os alunos sentem-se hoje “superprotegidos”, por políticos e políticas, por pais e mães, que nunca perceberam, que as crianças, os adolescentes, os jovens, as pessoas, não são anjos. É verdade que também não são bestas. Todas as pessoas são educáveis. Mas nem tudo o que há, na pessoa é bom! A educação não tem por que “desenvolver” dinamismos e mecanismos negativos e destrutivos que nos habitam: há muito egoísmo que precisa de ser combatido; há muita desordem interior, que precisa de ser regulada; há instintos que precisam de “ser guiados” e até superados e mesmo curados. E, quem disse que essa regulação da desordem e do delito, não pode ser feita, com um correctivo ou um castigo adequado? Por que é não temos, porventura, o direito de pregar um «estalo» a um filho e temos de engolir toda a «insolência e a má criação” dos educandos? Obviamente não defendemos aqui a violência gratuita, nem o «estalo» como método recorrente de ensino. Mas quem é o verdadeiro educador, que nunca sentiu, em determinados momentos, essa “sacudidela” como o método mais eficaz? Mal vai um país e uma geração, que não se dá ao respeito. Que põe os professores sob suspeita de «preguiça», e que os culpa daquilo que bem se podia classificar hoje de “falência da família”?! Por que será que se inveja a sorte dos professores, querendo ocupar, a todo o custo, os seus tempos livres, sem perceber a enorme exigência, o desgaste psicológico, que é hoje gerir o espaço de uma sala de aula? E é tanto mais difícil, quanto tivermos pais, a ver os professores como “concorrentes” ou como “substitutos” da sua missão?! Que fazer, perante um país, que transforma o «estalo», que um Padre deu numa criança malcriada, num caso nacional de violência doméstica! O Padre é castigado e fustigado, sujeito a um inquérito pela Segurança Social! E as crianças e adolescentes e jovens dão-se ao luxo de dizer aos seus pais: «olha que não podes dar um estalo; estás sujeito a um inquérito»… Onde é que nós vamos parar? Não quero “deitar água benta” sobre a incompetência de alguns professores, nem tão pouco quero “castigar” pais que se esforçam e olham para os professores como seus verdadeiros colaboradores! Mas é preciso “parar para pensar”, sob pena de termos estes filhos mimados, um dia, “adultos revoltados”! E revoltar-se-ão contra quem os mimou, quando perceberem que nós verdadeiramente não os ajudamos. Facilitar, não exigir, transigir em tudo, é educar e criar pessoas, sem “estrutura”, sem “estaleca”, sem “coluna vertebral” incapazes de aguentar a dureza e os sacrifícios da vida. Quero daqui manifestar o nosso reconhecimento aos professores. É preciso que os pais e os filhos voltem a ter aquela reverência e aquele reconhecimento, que ligava educadores e educandos. Nesta hora de provação, de crise, queremos dizer-vos: «tende confiança na vossa missão educativa»! Pais, dizei aos professores: «ajude-me; tem o meu apoio, na exigência que quer pôr ao meu filho»; Pais, dizei aos professores: «Obrigado, porque não consigo fazer, o que está a fazer com o meu filho». Quem tem de semear, sabe que semeia numa mão, com a dor, e na outra com o amor! Neste final de ano, o Senhor, nas parábolas que ouvimos, recomenda-nos que nos «deitemos a dormir»… Chegou a hora de dizer e rezar: «Senhor, fiz o que pude. Fiz o que soube. Falhei, algumas vezes; outras vezes, senti-me impotente. Agora que os alunos vão partir, sê tu a fazer frutificar a semente que lancei nos seus corações, nas suas consciências, nas suas inteligências e nas suas vidas»! Caros professores, porque tendes fé, confiai assim os vossos filhos, os vossos educandos, os nossos trabalhos, à palavra da sua graça! Muito obrigado, queridos professores, caríssimos catequistas. Se nunca ninguém vo-lo disse, digo-vos eu, em nome de todos: obrigado, do coração. O Senhor vos recompense. Seja a vossa luz e a vossa alegria. E que vós vejais prosperar, com abundância, tanto quanto possível, a obra das vossas mãos, e os frutos que só Deus nos permite dar! O EMRCdigital agradece o trabalho, o contributo e o apelo que muitos párocos deste país fazem na sua missão para a construção de uma educação mais global e responsabilizante, à imagem das palavras sentidas e proferidas durante uma homilia pelo P.e Amaro Gonçalo, pároco de Amarante. O EMRCdigital sublinha que «Educar é Amar». Os educadores são aqueles que continuam a ter a capacidade e a vontade de AMAR. Amar é estimular que os educandos façam as opções que os ajudem a serem MAIS (conscientes de que «corrigir» significa... orientar por um caminho... que os conduza a serem, gradualmente, MELHORES). Que modelo educativo?! A Parábola dos Talentos (Mt 25, 14 – 30) é...
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